Brasileiros garantem medalha no boxe

Publicado  segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Brasil não conquistava uma medalha olímpica no boxe desde Cidade do México 1968, quando Servílio de Oliveira foi bronze no peso-mosca. Nesta segunda-feira, em Londres, garantiu duas de uma vez. Horas depois de Adriana Araújo acabar com o jejum e se classificar às semifinais da categoria peso-leve feminino (até 60kg), foi a vez de Esquiva Falcão fazer o mesmo, ao derrotar o húngaro Zlatan Harcsa por 14 a 10 nas quartas de final do peso-médio  (até 75kg).
- É um dia histórico. Essa pressão pelo fim do jejum me incomodava. Toda entrevista que eu dava alguém perguntava sobre os 44 anos. A gente perdia, e falavam: "mais uma vez o boxe volta sem medalha". Coincidiu com surgimento do UFC. Agora passou. É uma nova era.

No boxe, todos os semifinalistas sobem ao pódio; portanto, Adriana e Esquiva têm medalhas garantidas mesmo que percam suas próximas lutas, e já asseguraram a melhor participação do país na modalidade na história das Olimpíadas. O Brasil ainda pode conquistar uma terceira medalha, se o irmão de Esquiva, Yamaguchi Falcão, derrotar o cubano Julio La Cruz Peraza nas quartas de final do peso-meio-pesado (até 81kg), na quarta-feira.

- Vou vir aqui torcer por ele. Hoje ele torceu por mim, é muito importante. Estamos dividindo o quarto, vejo que ele está muito bem preparado - conta Esquiva.
Na sexta-feira, Esquiva Falcão enfrenta o britânico Anthony Ogogo por uma vaga na grande final dos pesos-médios, às 11h (horário de Brasília). Ogogo terá o apoio da torcida local, mas leva desvantagem no confronto direto: os dois se enfrentaram no Mundial de Baku de 2011, com vitória do brasileiro por 17 a 12.

Elas tiveram de esperar 108 anos para trocar golpes em solo olímpico. Em um esporte que, ao longo do século 20, rendeu ouros para lendas como Muhammad Ali, George Foreman e Oscar de la Hoya, as mulheres só agora receberam o convite para a festa. E o Brasil teve pressa para levar uma lembrancinha reluzente de volta para casa. A baiana Adriana Araújo, de 30 anos, bateu nesta segunda-feira a marroquina Mahjouba Oubtil por 16 a 12, avançou para as semifinais do boxe (categoria até 60kg) e garantiu uma medalha histórica para o país. Na próxima fase, na quarta-feira, a pentacampeã pan-americana enfrenta a russa Sofya Ochigava. Como as duas perdedoras das semis ganham o bronze, Adriana já tem seu momento de glória assegurado

Além da conquista na primeira participação do boxe feminino nos Jogos, a boxeadora paulista quebra um jejum verde-amarelo de 44 anos. A última medalha do país no boxe olímpico tinha sido em 1968, com Servílio de Oliveira na Cidade do México.
- Só tenho que agradecer. Essa medalha não é só para o Brasil, é para toda a América. Fico feliz por ter sido eu. Agora é me preparar e pensar por etapas, primeiro garantir a prata, e depois lutar pelo ouro. Ainda não peguei a medalha, ela ainda não veio para a minha mão - brincou Adriana, feliz pela medalha garantida, mas concentrada e ciente de que o caminho em Londres ainda não acabou.

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