Despedindo-se da seleção brasileira feminina de basquete, Adrianinha
parecia estar jogando neste domingo por todos aqueles 15 anos que
defendeu a camisa verde-amarela. Apesar de uma campanha frustarante nas
Olimpíadas de Londres, a equipe parecia disposta a dar adeus aos Jogos
com uma boa atuação. A armadora em especial. Com a ajuda de Clarissa e
Erika, ela comandou o Brasil na vitória por 78 a 66 sobre a
Grã-Bretanha, no único triunfo do time na competição.
Aos 33 anos, Adrianinha mostrou vontade de estreante desde o primeiro
minuto. Dos 19 pontos que o Brasil marcou no primeiro quarto deste
domingo, participou de 17, entre cestas e assistências. Mas ela fez
mais. Terminou a partida como a terceira maior pontuadora do time, com
15 pontos, e ainda conseguiu um duplo-duplo, dando 12 assistências.
Pegou também quatro rebotes e roubou uma bola. Ao término da partida,
recebeu o carinho das companheiras.
Adrianinha contou ainda com a grande ajuda de duas companheiras.
Clarissa fez outro duplo-duplo para o Brasil, com 16 pontos e 13
rebotes. Erika também foi uma das cestinhas da partida, com os mesmos 16
pontos, pegou oito rebotes e deu seis assistências.
Além de ter garantido ao menos uma vitória na competição, a seleção
evitou terminar as Olimpíadas na lanterna do Grupo B, que ficou com as
britânicas. O Brasil encerrou sua participação em Londres na nona
colocação, à frente de Croácia, Grã-Bretanha e Angola. Em Pequim, há
quatro anos, o país também teve uma vitória e quatro derrotas, mas ficou
na 11ª posição, à frente apenas do Mali.
Quatro jogos olímpicos e uma medalha de bronze, em Sydney-2000. Com este
currículo vitorioso e de alto nível em 15 anos de serviço à Seleção
Brasileira, Adriana Pinto Moisés, ou simplesmente Adrianinha, como ficou
conhecida a “baixinha” de 1,68m de altura, faz, neste domingo (05/08),
contra a Grã-Bretanha, às 18h (horário de Brasília) sua despedida com a
camisa verde-amarela. Sucessora de Magic Paula, ela agora passa o bastão
a jovens como Joice, de 26 anos, e Tássia, de apenas 20, suas
substitutas naturais.
A aposentadoria da seleção já estava nos planos desde antes da
convocação do técnico Luís Claudio Tarallo, e foi confirmada por
Adrianinha durante o dia à diretora da seleção feminina, Hortência
Marcari, que agradeceu os esforços e os serviços prestados pela atleta.
"Conheci a Adrianinha quando ela ainda dava seus primeiros arremessos no
basquete, e sempre vi que se tratava de uma grande jogadora. A
trajetória dela é de muitas vitórias, garra e dedicação, virtudes
importantes em qualquer jogadora. Por isso joga há tanto tempo no alto
nível e tem uma medalha olímpica. Ela vai fazer falta à seleção, mas
transmitiu sua experiência às meninas, como a Joice e a Tássia, o que
certamente vai ajudar muito no processo de transição da posição. Só
tenho a agradecer e todos os fãs do basquete também devem agradecer
muito pelo que a Adrianinha fez ao país", elogiou Hortência.
Nascida em Franca, na capital brasileira do basquete, o primeiro desafio
da valente Adrianinha foi encarar a vontade de jogar basquete no meio
dos meninos. Não existiam meninas para acompanhá-la, e aos 12 anos ela
já sabia o que queria. Fã de Magic Paula e a Rainha Hortência, seu sonho
era se tornar jogadora de basquete. Aprimorou o arremesso, a
velocidade e muita garra para superar a baixa estatura que a fez ser
reprovada no primeiro teste que fez, na equipe do Leite Moça/Sorocaba.
Recebeu apoio da família e de sua primeira técnica, Saiuri Ishimura,
para não desistir. Então ganhou coragem e tentou novamente a sorte, na
Ponte Preta (SP), equipe de Magic Paula. O apoio das mais antigas, da
técnica Maria Helena Cardoso e da assistente Heleninha, foram
fundamentais.
Neste domingo, já anunciando que faria a última partida pela Seleção
Brasileira, Adrianinha lembrou de todas essas pessoas importantes e
postou em seu Facebook um pouco de sua história. “Foram 15 anos de
Seleção Brasileira. Tive a honra de vestir a camisa e defender o meu
país. Através do basquete conheci o mundo, outras línguas, culturas e
ótimas companheiras que para mim fizeram parte da minha família”,
discursou.
Depois de passar no teste da Ponte Preta e começar a jogar nas
categorias de base, chegar às seleções foi um pulo. Adriana foi campeã
Sul-Americana Cadete em 1994, ano do título mundial da Seleção
Brasileira, e depois vice-campeã Sul-Americana Juvenil e campeã da Copa
América, em 1996, ano da conquista da medalha de prata em Atlanta.
“Muitas pessoas me ajudaram, mas não posso esquecer as famílias da Karla
Costa e da Luciana Perandini. Elas me ofereceram comida e moradia
porque não tinha lugar na república do clube (Ponte Preta). Foram elas
que alimentaram meu sonho que era jogar basquete”, relembrou.
Adrianinha também citou nomes de diversas ex-companheiras de seleção, em
especial a amiga Alessandra, que a ajudou a jogar fora do país – foram
passagens pela Itália, Estados Unidos (WNBA), Rússia, França e Croácia. A
pivô, em Londres como comentarista da Bandsports, retribuiu, honrada.
"Fiquei muito emocionada, porque é uma grande amiga e tenho um enorme
carinho por ela e por tudo que fez ao basquete feminino brasileiro".
Técnico responsável por levar Adrianinha à seleção adulta, Antônio
Carlos Barbosa lembra com carinho dos momentos que tiveram juntos como
treinador e atleta. “É uma vencedora e só quem a conhece sabe das
dificuldades que ela superou para chegar ao nível que chegou. Ela jogou
comigo 11 anos, talvez tenha sido o técnico que mais tempo a teve como
jogadora. Foi um orgulho para mim, desde que chegou ao cadete, em 1996,
até 2007, quando estivemos na mesma equipe. Deixa a Seleção Brasileira
com uma medalha que é para poucas jogadoras no mundo. Foi em 2000 que a
coloquei como armadora titular, passando a Helen para lateral. Ela
merece todas as homenagens pelo que foi e representa ao basquete
feminino brasileiro”, afirmou.
Armadora mais jovem convocada para as Olimpíadas, Tássia Carcavalli
celebrou o período que teve ao lado de Adrianinha, e acredita que ter
convivido com ela pode ajuda-la a, possivelmente, se tornar armadora
principal da seleção um dia.
"A Adrianinha foi uma grande 'professora' para mim. Foi maravilhoso
passar esses meses treinando ao seu lado. Aprendi os mínimos detalhes da
posição, o que devo e não devo fazer. É um espelho para mim, me inspira
muito para conseguir assumir a armação da seleção um dia e honrar essa
camisa por tanto tempo e da mesma forma como ela. Espero um dia chegar
ao mesmo nível dessa grande jogadora e ótima pessoa".
Depois de passar pela WNBA e diversos países da Europa, Adrianinha deixa
a Itália para voltar ao Brasil. Ela, Érika, Alessandra e Francielle
encabeçam um projeto ousado do Sport Recife, tradicionalíssimo clube de
futebol de Pernambuco, que vai jogar a próxima temporada da LBF.
Adrianinha se despede da selecao com show
Publicado segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Postado por
pinhobrito
às
20:51
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