Jogar para perder seria castigar demais o espírito olímpico, mas poupar
os músculos olímpicos, retomar o fôlego olímpico e até flertar com uma
preguiça olímpica, tudo bem. Classificados para a segunda fase,
brasileiros e espanhóis entraram em quadra nesta segunda-feira, na Arena
de Basquete, sabendo que aquele não seria o jogo da vida de ninguém. A
derrota não viria exatamente como castigo - ao contrário, na teoria
facilitaria o caminho até a final em Londres. Sem pisar fundo no
acelerador durante o primeiro tempo, os dois times aproveitaram para
rodar os elencos e tiveram seus momentos de fogo baixo. No fim, a coisa
apertou, e o Brasil mostrou que estava disposto a sair com a vitória.
Diante de uma Espanha apática, acabou conseguindo, por 88 a 82, com uma
virada contundente nos minutos finais pelas mãos de Leandrinho. O
"prêmio" pelo esforço é uma estrada ingrata daqui em diante, onde podem
estar os dois últimos campeões olímpicos.
Nas quartas de final, a seleção terá pela frente a Argentina, ouro em 2004. O jogo será na quarta-feira, às 16h, Se passar no duelo sul-americano, os brasileiros provavelmente vão
encarar os Estados Unidos, campeões em 2008, que enfrentam a Austrália
nas quartas.
Ao fim da partida, Rubén Magnano evitou comentar a atitude da Espanha,
que levou 31 pontos no último quarto sem a habitual resistência. Mas
valorizou a postura do Brasil.
- Eu me sinto muito orgulhoso do que faz minha equipe. Talvez por isso
eu seja professor também, para transmitir valores, e não só jogar
basquete. Qualquer pessoa que olha essa atitude fica colada com isso.
Ninguém vai apontar o dedo para nós - afirmou o treinador argentino.
O ala Alex, no entanto, admitiu que o fim do jogo foi estranho, com os
espanhóis deixando espaço para os arremessos que possibilitaram a reação
brasileira.
- A gente tem que pensar no nosso. Não dá para entrar num jogo decisivo
assim pensando em perder. É esquisito, a gente entrou no último quarto
perdendo por nove, e eles foram inventar de marcar por zona. Aí fizemos
31 pontos - lembrou o ala.
O técnico da Espanha, Sergio Scariolo, refutou qualquer possibilidade de ter entregado o jogo no último quarto.
- Conhecendo a minha pessoa, meus jogadores, a minha Federação e o
nosso comportamento, levantar essa questão é uma falta de respeito -
afirmou.
Com quatro vitórias e apenas uma derrota, a seleção de Rubén Magnano
termina em segundo lugar no Grupo B. Por isso, terá pela frente a
Argentina, terceira colocada da outra chave, na quarta-feira, às 16h (de
Brasília). Quem passar, pegará na semi o vencedor de EUA x Austrália.
Se tivesse perdido para a Espanha, a equipe verde-amarela enfrentaria a
França nas quartas e provavelmente a Rússia nas semis.
Herói da reação no fim, Leandrinho foi o cestinha brasileiro com 23
pontos, em sua melhor atuação em Londres até agora. Marquinhos fez 13, e
Tiago Splitter colaborou com 11. Pelo lado espanhol, os irmãos Gasol
comandaram as ações: Pau fez 25 pontos, e Marc fez 20.
Além da intenção de dar ritmo a alguns reservas, o Brasil já começou o
jogo com uma baixa: Nenê sentiu dores na planta do pé esquerdo e foi
poupado. Do banco de reservas, viu Caio Torres ganhar bons minutos de
quadra, assim como Raulzinho, que chegou a ser usado junto com Larry
Taylor. Ao fim do primeiro tempo, todos os jogadores do elenco de
Magnano já tinham pontuado.
O primeiro quarto foi de domínio espanhol, mas basicamente por causa de
um jogador. Pau Gasol colocou o time nas costas, fez 13 pontos e
manteve os europeus à frente no placar o tempo todo. A defesa brasileira
não sabia o que fazer para frear o pivô do Los Angeles Lakers: Varejão,
Splitter, Caio, Giovannoni, todo mundo deu sua parcela de ajuda, mas
estava difícil. E Gasol tinha ainda um coadjuvante de luxo, Serge Ibaka,
que encerrou o período com um toco fantástico em Larry Taylor: Espanha
26 a 17.
No segundo quarto, a preguiça trocou de lado. Os espanhóis também
rodaram bem o elenco, cometeram muitos erros, e o Brasil aproveitou para
reagir. A diferença caiu para três num tiro de longe de Giovannoni e
chegou a ficar em dois pontos. Nos minutos finais antes do intervalo,
contudo, os atuais vice-campeões olímpicos dominaram as ações outra vez e
pularam para 44 a 38.
Os irmãos Gasol continuaram castigando o Brasil no terceiro quarto, e a
diferença chegou a 11 pontos. Ficou passeando por essa margem, enquanto
Marquinhos, Leandrinho & Cia. tentavam encurtar. Até a virada para
os dez minutos finais, não deu: 66 a 57.
No início do último período, aí sim, a diferença despencou para quatro.
Caio tentou um toco, mas cometeu a falta e mandou Felipe Reyes em cima
dos fotógrafos. Era o clima na reta final, quando as duas seleções
esquecerarm o caminho "mais fácil" e partiram para buscar a vitória.
Leandrinho acertou a mão de três e, com duas cestas seguidas, colocou o
Brasil à frente: 75 a 73. Pouco depois, uma roubada valente de Varejão
terminou num contra-ataque de Leandrinho para abrir meia dúzia. O
ala-armador, aliás, fez dez pontos seguidos para comandar a virada e
abrir vantagem. A Espanha parecia entregue, com a defesa aberta. E os
brasileiros, que não tinham nada com isso, trataram de fechar o jogo e
carimbar a passagem para as quartas feito gente grande.
Brasil vence Espanha e pega Argentina e EUA na chave
Publicado segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Postado por
pinhobrito
às
20:57
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